O envelhecimento, frequentemente encarado como um fardo, é reinterpretado por Ichiro Kishimi em seu livro “A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo”. O autor, que é filósofo e psicólogo, convida os leitores a refletirem sobre a passagem do tempo e a sua relação com a felicidade. A provocativa afirmação de que “o melhor da vida é descer a ladeira” abre um diálogo sobre a verdadeira essência do envelhecer.
Kishimi, influenciado pelos ensinamentos de Alfred Adler, destaca que a juventude não é um sinônimo de felicidade. Em suas sessões de terapia, ele frequentemente questiona seus pacientes sobre o desejo de voltar à adolescência, e as respostas revelam um entendimento profundo: muitos preferem valorizar a experiência adquirida ao longo dos anos. Para ele, o foco deve estar no crescimento pessoal e não em comparações com os outros, uma crítica ao sistema de valores que prioriza a produtividade e a competição.
Em sua obra, Kishimi delineia três pilares fundamentais para se tornar um adulto pleno: reconhecer o próprio valor, assumir responsabilidade por suas escolhas e evitar o egocentrismo. Esses princípios são essenciais para que o envelhecimento seja visto não como um declínio, mas como uma fase de evolução e autoconhecimento.
A experiência de Kishimi com a saúde, marcada por um infarto e uma cirurgia cardíaca, traz uma nova perspectiva sobre a vida. Ele compartilha a angustiante sensação de incerteza que a doença impõe, mas também uma reflexão poderosa sobre a valorização da vida. A percepção de que sua existência pode ser motivo de alegria para outros o ajudou a reencontrar a calma em meio ao desespero, mostrando que a adversidade pode ser um catalisador para mudanças significativas.
A relação do autor com seu pai, que enfrenta demência, também é um ponto central em sua narrativa. Kishimi oferece lições valiosas sobre como cuidar dos pais com empatia e respeito. Ele defende que o cuidado deve ser livre de imposições, incentivando uma escuta ativa e um relacionamento renovado a cada novo encontro. Essa abordagem humaniza o processo de envelhecer, tanto para os pais quanto para os filhos.
Por fim, Kishimi enfatiza a importância de reconhecer as próprias limitações e a coragem de admitir a falta de conhecimento. Ele critica a tendência de muitos idosos em se posicionarem como detentores de toda a sabedoria, o que muitas vezes afasta os jovens. A comunicação aberta e a humildade são, segundo ele, essenciais para construir pontes entre gerações e enriquecer a experiência de todos.


